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Projecto a ser desenvolvido entre 2011 e 2013
Este projecto, insere-se no âmbito da tipologia 7.3 e tem como finalidade a sensibilização para todo o tipo de violência junto de jovens, com idades compreendidas entre os 12 – 17 anos, bem como os utentes do Espaço t (todos com idades, iguais ou superiores aos 18 anos). Tendo em conta que o problema da igualdade do género e a violência do género, é um comportamento aprendido, torna-se urgente intervir junto dos jovens e de públicos que por diversas razões são alvo de exclusão social, no sentido de apoiar e conter comportamentos de transgressão. A violência que não for parada, cresce no tempo, o que implica que o risco para as vítimas aumenta e a possibilidade de apoio eficaz aos agressores diminui. Este projecto, será levado a cabo em zonas problemáticas da cidade do Porto e em parceria com Escolas do 3º Ciclo, contando também com a participação dos utentes da nossa entidade que na sua maioria também são vítimas de violência e exclusão social. Recorrendo a uma metodologia de projecto participativa, pretende-se envolver os alunos das escolas na aquisição de conhecimentos sobre a temática e posterior criação de material de sensibilização junto da comunidade escolar e o envolvimento dos nossos utentes na realização happening`s junto da população civil a desenvolver em espaços públicos, como por ex. apresentação de peça/as de Teatro no Ciclo de Espectáculo de Teatro e Dança, designado “Corpo Evento”.
Consideramos que esta intervenção contribui para a estratégia nacional de promoção da igualdade do género e da violência do género, na medida em que as políticas definidas pelo Governo e densificadas nos Planos Nacionais se dirigem ao público por nós por abrangido.
Consideramos que se trata de um contributo determinante na prevenção da violência do género e na garantia da igualdade de género, como garante da paz e da segurança em sociedade.
Actuando precocemente, em camadas mais jovens estamos a garantir melhor qualidade de vida, reduzindo consequentemente elevados custos sociais.
É já visível nos documentos da UNICEF a ligação da Convenção dos Direitos da Criança com a CEDAW-Convenção Para a Eliminação de todas as formas de discriminação contra as mulheres (considerada a Magna Carta dos Direitos Humanos das Mulheres-1979), e em alguns países, nomeadamente, a Alemanha, tem vindo a integrar as questões da violência contra as crianças e jovens com as da violência contra as mulheres.
Tudo isto para realçar a complexidade da intervenção nesta área, que deverá exigir, a médio e longo prazo, uma cada vez maior especialização e uma intervenção multidisciplinar de proximidade geográfica, sobre a forma de redes comunitárias especializadas e coordenadas, na área da violência do género e doméstica constituída por profissionais altamente especializados.
Nos termos do Plano Nacional contra a violência e no que se refere à população juvenil, uma proporção considerável de jovens em Portugal já foi vítima de violência, nomeadamente no namoro, assim como as pessoas portadoras de deficiência no contexto social.
Face ao exposto pretendemos promover uma cultura de cidadania e de não violência, geradora de novas masculinidades e feminilidades, no sentido de eliminar representações estereotipadas acerca dos papéis associados a cada um dos sexos.
Atendendo ainda que a igualdade de género implica valorizar a diversidade do processo educativo, esta intervenção é de extrema relevância uma vez que se enquadra na área estratégia de intervenção  “Informar, sensibilizar e educar”.
Em acções anteriormente realizadas, constatamos que o público inquirido considerava que seria determinante intervir junto das camadas jovens, no sentido de alterar comportamentos. Num mundo de raiz patriarcal e que as estruturas desenvolvidas são de género masculino, não reconhecem as mulheres como sujeitos de direito. Em Portugal, não obstante o reconhecimento na Lei dos Direitos das Mulheres, Jovens e Crianças, continuam na prática a sofrer as consequências do desfasamento entre os direitos consignados e a cultura social, institucional e familiar imbuída de valores e preconceitos face aos seus direitos. Necessidade de comprometer os jovens na criação de uma cultura de Direitos Humanos. Necessidade de valorizar todo o tipo de violência. A discussão a nível europeu e internacional desta temática, das quais resultam directrizes que levam Portugal a prosseguir o combate às diversas formas de violência. Reconhecimento que a violência sobre as mulheres constitui um problema social estrutural. Custos sociais e individuais que afectam a vítima a curto prazo e que se prolongam ao longo da vida ou gerações futuras. A violência no namoro, junto da população juvenil. Necessidade valorizar a diversidade. Promover a reflexão e a crítica sobre as concepções que conduzem a expectativas diferentes para os jovens em função do sexo. Abolir a legitimação e a tolerância social da violência do género. Ao referido acresce o contexto social onde os destinatários se encontram inseridos, ou seja, zonas desfavorecidas e carenciadas da cidade do Porto (zona da Sé, Fontainhas e Bairro do Cerco). As zonas referidas localizam-se essencialmente na zona histórica da cidade do Porto. Pobres e envelhecidas, as Freguesias enumeradas são habitadas por pessoas idosas carenciadas ou beneficiários do RSI, verificando-se situações de exclusão social. A falta de competências, o abandono precoce da escola, a violência, entre outros, são factores desmotivadores da camada mais jovem. Daí o nosso propósito de actuar junto dos jovens provenientes deste meio, no sentido de mudarem comportamentos e entendam o seu papel na sociedade. Essencialmente que alterem o ciclo de vida onde se encontram inseridos: que cumpram a escolaridade, que sejam cultos, que se preparem para uma profissão, que alterem mentalidades. Para além do público já enumerado, pretendemos abordar a temática junto dos nossos utentes, dado sentirmos necessidade de os preparar para uma convivência em sociedade que lhe garanta uma concretização efectiva dos seus direitos.

Objectivos do projecto:

- Fomentar, construir e aprender valores e atitudes que possam constituir um obstáculo à igualdade do género;
- Incentivar o diálogo em situações de conflito em todas os contextos vivenciais;
- Difundir os valores e princípios da igualdade de género através da disponibilização de informação e concepção de novos materiais informativos pelos jovens (destinatários do projecto);
- Fomentar o desenvolvimento de uma cidadania activa, através da sensibilização para a mudança de comportamentos;
- Contribuir para a construção de uma sociedade mais coesa e inclusiva;
- Promover o envolvimento dos utentes da associação para a temática da Igualdade do Género, sensibilizando-os para o exercício dos seus direitos e tomada de consciência para a realidade social dominante.

Para a materialização dos objectivos enumerados propomos-mos dotar os destinatários do projecto de conhecimentos, recorrendo para o efeito à organização e promoção das acções de sensibilização, sessões de esclarecimento e informativas, criação de ateliês que trabalhem as questões da igualdade do género, concepção conjunta de material informativo e envolvimento da comunidade escolar na adopção deste projecto como uma prática a implementar em todas as escolas.

Resultados esperados:

- Contribuir para a formação cívica dos Jovens;
- Potenciar o envolvimento das Direcções Regionais da Educação na introdução da temática nas escolas;
- Sensibilizar os responsáveis para a necessidade de intervenção nesta área em idades mais jovens (ao nível do 1º Ciclo);
- Minimizar os efeitos secundários da violência;
- Minimizar os casos de violência;
- Contribuir para abolição / legitimação e a tolerância social da violência;
- Promover uma cultura de não-violência;
- Promover nova relações sociais que promovam a igualdade entre homens e mulheres

Factores de inovação do projecto:

Igualdade de Género


Propomo-nos constituir grupos/grupo de trabalho com jovens estudantes, com idades compreendidas entre os 12 e os 17 anos. Este projecto deverá ser constituído, de forma justa e equilibrada, por representantes do sexo masculino e feminino, no sentido que a paridade seja uma realidade. Para além dos jovens, propomo-nos ainda trabalhar com os utentes da associação, cujo percurso de vida é demonstrativa da discriminação e desigualdade.

Igualdade de Oportunidades


A integração de pessoas/utentes da associação no projecto (deficientes físicos, mentais, toxicodependentes em recuperação) vítimas de discriminação constituirá um factor relevante de integração e sensibilização da dimensão da igualdade do género no próprio projecto.

Inovação


Recorrendo a uma metodologia de projecto participativa, os/as destinatários/as do projecto, serão também actores do mesmo.
- Envolvimento das entidades do ensino em projectos desta natureza, através da introdução da temática nas áreas da formação cívica, Língua Portuguesa e Educação Visual e Tecnológica.
- Público - alvo abrangido, tendo em conta a promoção de mentalidades desde cedo, geralmente os projectos existentes dirigem-se a população adulta que oferece maior resistência à mudança.
- A Continuidade do projecto após o seu financiamento uma vez que os/as jovens poderão dar continuidade ao mesmo dentro da escola, produzindo o tão desejado efeito multiplicador.

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