Política da Igualdade do Género

Vive-se hoje um período de profundas transformações e consequentes desafios sociais, por sua vez ancorados numa maior e mais urgente tomada de consciência do mundo global, no qual partilhamos, de uma forma ou de outra, um espaço. O impacto do capital transnacional, a integração dos recursos, do trabalho e dos mercados é cada vez mais abrangente e sem precedentes, integrando-nos assim num sistema mundial interdependente.


Os valores laborais tradicionais entraram num processo radical de mudança e, simultaneamente, os tempos das nossas vidas foram consideravelmente alterados. Apesar de tudo, embora não de forma institucionalizada, a divisão sexual do trabalho é ainda uma chave fundamental na organização social. As diferenças entre homens e mulheres, por si só, não provocam desigualdade mas, no momento em que a sociedade atribui um valor a estas diferenças por géneros, reproduzem-se as desigualdades no desenvolvimento e bem-estar das mulheres e dos homens. Desta valorização social decorre que ambos os sexos beneficiam de diferentes oportunidades na partilha das esferas privada e pública, do poder, do trabalho ou da família.


As medidas e políticas de intervenção que actualmente estão definidas, integram-se numa abordagem sistémica e continuada, dado que não podemos mais compartimentar os interesses das mulheres e dos homens em áreas de intervenção distintas, quando afinal os problemas dizem respeito e têm implicações concretas na vida de todas e de todos. Esta é uma questão estrutural, que exige uma mobilização conjunta, independentemente do sexo, e que vai muito mais além da salvaguarda dos direitos de cada uma das partes. Antes, conflui para uma perspectiva mais ampla de cidadania, de desenvolvimento sustentável e do reconhecimento da importância da qualidade de vida e da liberdade de todos os seres humanos. Os diversos instrumentos programáticos procuram articular-se entre si com o grande objectivo de contribuir para uma política nacional de coesão social, promovendo o igual acesso às oportunidades e a participação activa de todas e todos em todas as esferas de intervenção, como elemento essencial de uma sociedade democrática que se quer cada vez mais consolidada.


O projecto “Diferentes Realidades, Iguais Oportunidades”, financiado pelo Sistema de Apoio Técnico e Financeiro às ONG, no âmbito do Contrato Programa celebrado entre a CIDM e o Programa Operacional do Emprego, Formação e Desenvolvimento Social (FSE), procurou sensibilizar diversos agentes responsáveis pela gestão dos recursos humanos, no sector público e privado, para esta preocupação. Com o objectivo de promover a integração da perspectiva da igualdade de género em contextos empresariais, de sensibilizar para a promoção da participação equilibrada e para reforçar as condições de exercício dos direitos de cidadania, de divulgar e partilhar boas práticas, o Espaço T, através deste projecto, contribuiu certamente para a consolidação desta perspectiva em novos espaços sociais e de trabalho. A integração da perspectiva de género de um modo sistemático na agenda política e o assegurar que todos os actores envolvidos na sua implementação reconheçam esta dimensão assume, pois, um papel fundamental.

Cabe a todas e todos dar o necessário contributo para que este objectivo seja uma realidade cada vez mais visível. Ser Mulher ou Homem é indiferente, o importante é ser Humano/a. Nesta perspectiva, o Espaço t acredita que é fundamental criar novos conceitos, visualizar novas regras, sentir uma nova mudança social que possa transmitir esta realidade, há muito reclamada: Mulheres e Homens com identidades diferentes mas igual dignidade e valorização pessoais e profissionais. Não faz sentido, em pleno século XXI, haver discriminação pelo sexo, promoções sexuais, desigualdades entre humanos/as. É, por isso, importante a promoção de projectos deste âmbito, para que no futuro estas realidades façam parte da história antiga e possamos trabalhar em novos horizontes, que valorizem a humanidade, composta de mulheres e homens, na sua globalidade.

Acreditamos que este projecto representa um modesto contributo para a mudança, ainda demasiado ténue, pois as barreiras sociais e as estruturas empresariais mantêm-se muito pouco receptivas a esta temática. Realidades como conciliação familiar e profissional, apoio à maternidade e à paternidade, promoção da carreira independente do género, entre outras, são ainda uma utopia para muitas e muitos. Apesar das dificuldades, pensamos que começa hoje a surgir uma barreira mais porosa onde estes e outros novos conceitos se infiltram e afirmam dentro das máquinas organizacionais, fragilizando as velhas regras, forçosamente condenadas à morte.

Porque acreditamos em iguais oportunidades para diferentes realidades, continuaremos a prosseguir esse ideal. A igualdade de oportunidades entre mulheres e homens assume primordial importância nos dias de hoje, em que a mulher reclama o seu espaço no trabalho, na formação, na política, no associativismo e o seu reposicionamento na vida familiar. Embora à evolução dos tempos se associe o reconhecimento dos direitos das mulheres e o avanço no seu pleno exercício, a verdade é que o caminho para a igualdade de oportunidades entre mulheres e homens, em todas as dimensões da vida quotidiana, ainda se esboça longo e sinuoso. Os/as agentes da vida económica ainda se mostram insensíveis a algumas questões que, sistematicamente, afectam o desempenho e a progressão das mulheres no mundo do trabalho. Por outro lado, na família, perdura a divisão estereotipada de papéis. Em muitas áreas da vida quotidiana o mundo dos homens e o mundo das mulheres coexistem, sobrepondo-se ao desejado mundo de todos. Neste contexto se insere o projecto “Diferentes Realidades, Iguais Oportunidades”, promovido pelo Espaço t, visando a sensibilização dos/as actores socioeconómicos para a temática da igualdade de oportunidades entre mulheres e homens e, através dela, potenciar e promover a mudança.
 

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